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VASP alerta para riscos na proposta do Governo sobre a distribuição de imprensa

VASP alerta para riscos na proposta do Governo sobre a distribuição de imprensa

A VASP – Distribuição e Logística, S.A., única distribuidora nacional de imprensa em Portugal, em resultado da insolvência de todas as restantes distribuidoras, manifesta a sua preocupação face ao documento recentemente divulgado pelo Gabinete de sua Excelência o Ministro da Presidência relativo à proposta de um regime temporário de apoio à distribuição de imprensa escrita (jornais) em territórios de baixa densidade.
 
17 Março 2026
A VASP – Distribuição e Logística, S.A., única distribuidora nacional de imprensa em Portugal, em resultado da insolvência de todas as restantes distribuidoras, manifesta a sua preocupação face ao documento recentemente divulgado pelo Gabinete de sua Excelência o Ministro da Presidência relativo à proposta de um regime temporário de apoio à distribuição de imprensa escrita (jornais) em territórios de baixa densidade.

A VASP é uma empresa privada que tem assumido e garantido, com elevado sentido de responsabilidade e em condições de igualdade, o acesso de todos os cidadãos à imprensa escrita e ao bem público fundamental que é a informação. Prossegue esta missão não obstante os custos que, com total transparência, tem dado a conhecer às entidades públicas e governamentais com intervenção e responsabilidades nesta área, que no passado reputaram esta prestação como serviço público.

Num contexto em que a distribuição de imprensa enfrenta uma forte e continuada quebra de vendas, com o aumento significativo dos custos operacionais, o encerramento progressivo de pontos de venda, (e a saída de banca de publicações, por decisão dos editores ou por insolvência de editoras), a VASP tem mantido, com enorme esforço, a operação nacional de distribuição diária, assegurando que os jornais continuam a chegar diariamente, de forma atempada, às populações em todo o território nacional. Um compromisso que está na génese da fundação da VASP há 51 anos. É, por isso, com surpresa, que a empresa observa que este esforço é retratado num documento oficial que levanta injustificadamente dúvidas sobre a sua atuação e sobre informações que prestou num espírito de transparência e boa-fé.

É de salientar que a VASP opera sob um conjunto de condições e obrigações no âmbito da sua atividade regulada pela Autoridade da Concorrência, e através da supervisão de um Mandatário de Monitorização, tendo sempre pautado a sua atuação por princípios de rigor, transparência e colaboração institucional. Tem igualmente partilhado informação relevante (através de elementos solicitados de atualização regular) com autoridades, Governo, reguladores e parceiros, ao longo dos últimos anos.

A análise técnica efetuada pela VASP ao documento revela ainda fragilidades no diagnóstico apresentado e um preocupante desconhecimento da realidade operacional da distribuição de imprensa. Trata-se de um sistema logístico complexo que funciona diariamente, 365 dias por ano, envolvendo recolha nas gráficas, reparte, expedição, transporte noturno, distribuição capilar no território, recolha e controlo de sobras e gestão, faturação e cobrança de milhares de pontos de venda, bem como pagamento a editores.


Para a VASP, o modelo proposto pelo Governo tem o potencial de gerar efeitos contrários aos pretendidos, ao fragmentar um sistema logístico nacional que hoje funciona de forma integrada. Isto leva a um aumento dos custos de distribuição (um risco ainda mais relevante considerando o contexto geopolítico atual) e ao agravamento da situação económica de editores, gráficas, distribuidores e pontos de venda, com impacto direto na sustentabilidade da imprensa diária em banca.

Num momento em que o setor da imprensa enfrenta desafios estruturais profundos, qualquer solução pública deverá assentar num diagnóstico rigoroso e numa compreensão clara do funcionamento da cadeia de valor da distribuição. Caso contrário, o modelo proposto poderá, inadvertidamente, contribuir para agravar a situação económica dos diferentes intervenientes do setor e acelerar a degradação da rede de distribuição de imprensa em banca no país.

Como já proposto pelo Conselho de Administração da VASP uma solução de continuidade, através de um apoio do governo, enquanto garante de um serviço público, com a implementação de uma política de incentivos a entidades (autarquias, escolas e universidades) para aquisição de imprensa, e a atribuição de apoios a pontos de venda e editores, asseguraria a sustentabilidade da distribuição em Portugal. 

A VASP reafirma, a sua total disponibilidade para colaborar com o Governo e com todas as entidades do setor, prestando todos os esclarecimentos necessários e contribuindo para a construção de uma solução pública realista, informada e sustentável. 

17 de março de 2026
 

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